terça-feira, 20 de janeiro de 2009

DOIS HOMENS NEGROS: semelhanças, distinções

Cruz e Sousa: O racismo e a intolerância para com os gênios negros mudaram pouco

João da Cruz e Sousa. Brasileiro de Florianópolis, Santa Catarina. Filho de escravos forros, foi educado por uma senhora branca de boas intenções e cheia de amor. Lia em alemão, francês, inglês, espanhol e latim.

Poeta simbolista, autor de versos tumultuados de revoltas, nasceu em 1861. Morreu, pobre, doente e ignorado, em Minas Gerais, em 1897, tendo seu corpo transportado para o Rio de Janeiro num vagão de trem de cargas, entre bostas e mijos de animais.

Se tivesse vivido nos dias de hoje, pobre como era, com o temperamento que tinha, seu destino não teria sido muito diferente. O racismo e a intolerância para com os gênios negros continuam o mesmo. O cinismo eterno desses preconceitos infinitos me apavora.

Livros encontrados na Livraria Cultura:

Broqueis e Farois (DCL, 2006)
Antologia poética (Ática, 2006)



Obama, em foto de Martin Schoeller: se fosse negro nos EUA do século XIX,
provavelmente, nem teria entrado para a história

Barack Hussein Obama II. Norte-americano, nascido em Honolulu, Havaí, em 1961 (cem anos depois de Cruz e Sousa). Filho de mãe branca e pai negro, de origem queniana. Quando criança viveu na Indonésia, até voltar para o Havaí e ficar com os avós. Estudou Ciências Políticas em Nova York e Direito em Havard.

Na Columbia University, em Nova York, quis praticar esportes para namorar as mulheres. Mas logo descobriu que as que lhe interessavam preferiam os poetas. Mudou de postura e virou intelectual. É contemporâneo. É presidente dos Estados Unidos. Empossa hoje, 20 de Janeiro de 2009.

Se fosse brasileiro, seria, no máximo, ministro da cultura (em função de um governo recém-aceito). Há dez anos, nem isso. Se fosse norte-americano no século XIX, provavelmente, nem teria entrado para a história.

Livros encontrados na Livraria Cultura:

A origem dos meus sonhos (Gente, 2008)
A audácia da esperança (Larousse do Brasil, 2007)

4 comentários:

Sueli disse...

oi, Giba você tem razão o preconceito ainda é muito grande no Brasil. Fico indignada com certas atitudes da sociedade atual, tão moderna, tão globalizada e tão carente de amor. Parabéns pela materia. Sueli

Gilberto G. Pereira disse...

Sueli, muito obrigado pela visita e pelos comentários. Volte sempre!
Grande abraço!

M. disse...

Giba, obrigada por ter me visitado e deixado um belo comentário lá em meu blog. Gosto muito do seu também, por isso que o favoritei. Realmente a mentalidade da humanidade tem que mudar quanto ao que se refere a raça de um ser humano. Particularmente sou uma grande admiradora de Obama. Que ele chegue até o fim do seu governo e que o povo americano saiba perseverar e se unir à ele, quanto as causas que ele pretende defender. Gostei do paralelo estabelecido entre ele e Cruz e Souza. O primeiro sofreu muito mais em seu tempo, pois as marcas da escravidão estavam ainda muito recentes. É triste constatar que séculos passaram e pouca coisa mudou na mentalidade do povo brasileiro quando o asunto é racismo. Mas sinto-me esperançosa por ver um grande intelectual e político negro dirigindo uma nação poderosa e preconceituosa. Um abraço.

Gilberto G. Pereira disse...

Muito obrigado pelo belo comentário, M! É bom saber que você continua acessando meu blog.
Grande abraço!