segunda-feira, 23 de março de 2009

NÃO COMPREENDO PORQUE NÃO ATINO COM A CAUSA

Recentemente me desfiz de um livrinho intrigante, desses de esoterismo. O título já diz tudo sobre seu conteúdo: Ufos, ilusão ou realidade? Adquiri o livro em minha época de adolescência, que está ficando cada vez mais distante, e o que eu queria com aquilo era saber mais sobre essa questão tão surreal, tão presente e olhada sempre de soslaio pelos homens que se acham comprometidos com o pensamento racional.

Li o livro várias vezes. Os objetos de discussão são fatos históricos que poderiam ser frutos da ação extraterrestre, e neste ponto, os argumentos são divertidos. Um exemplo é a suspeita de que as pirâmides do Egito possam ter sido construídas pelos ETs.

Outro exemplo é o de que os sulcos, como se fossem arados, que foram feitos nas terras do Peru muito antes de Pizarro dizimar os incas, e que formam imagens só vistas do alto, de um avião ou algo que levanta voo, também seriam obra de ETs.

Li tudo isso, mas a única coisa que me chamou a atenção e que, isso, sim, é um ótimo instrumento de retórica, foi uma frase de Guy de Maupassant, autor que, aliás, fiquei conhecendo ali, e só mais tarde viria a lê-lo. A frase é a seguinte:

“Como é fraca a nossa mente. Como é pronta a perturbar-se e inquietar-se sempre que, de repente, se defronta com o menor fato explicável. Em vez de dizer ‘não compreendo porque não atino com a causa', o homem logo imagina espantosos mistérios e poderes sobrenaturais.”

Se eu não tivesse lido Ufos, ilusão ou realidade?, não teria alcançado esta lápide memorável. Fico devendo à minha pequena curiosidade essa inestimável contribuição ao meu espírito. Somos quase todos tão previsíveis!

2 comentários:

Diego disse...

Sou previsível!!! Ainda mais diante daquilo que não conheço, que para diante de mim, tão fraco, indefeso na ignorância que me assola, que me tira o sono nas madrugadas de tristeza! Esse conhecimento que vem de confronto com todas as crenças enraizadas, que me torna individualista. Isso Dói. Então me lembro de Paulo Henrique, que você mesmo lembrou há pouco aqui neste blog,nas nossas leituras em voz alta aqui em Curitiba Gil: "...Tudo que dói é possível" Abrço. Diego.

Gilberto G. Pereira disse...

Grande Diego!
Meu caro, você está se despertando para um universo muito perigoso, o universo das palavras. A palavra é subversiva e faz nascer na alma uma transgressão jamais experimentada, uma sensação sinestésica da rebeldia do espírito. Palavras, palavras, palavras. Eu também sou previsível, meu caro. "Ando de passo leve para não acordar o dia". Mas todos sabem que "sou da noite o companheiro mais fiel que ela queria." Quem me olha vê logo o que está escrito. Mak Tub, meu chapa!
Grande abraço e obrigado por continuar acessando este humilde blog.
No final do ano, aí em Curitiba, vamos tomar umas cachaças no Pé Sujo e falar mal do Paulo Leminsk. Quando você vier a Sampa de novo, vamos ao Sujinho e falar mal de todos. Não tem ninguém, vivo, que preste nessa cidade (há exceções, poucas)!