terça-feira, 3 de novembro de 2009

Memórias de uma nação

Dalia: exilada em Nova York

Não dá para ler tudo nem todos. Os grandes e céleres leitores como Harold Bloom e Alberto Manguel, para citar os vivos, ou Martin Seymour-Smith, Otto Maria Carpeaux e Samuel Johnson, para não esquecer os mortos, leem ou leram o escopo da literatura universal, construindo uma sabedoria enciclopédica impressionante.

No caso dos mortais simples, feito o autor desta coluna, a leitura segue apenas o ritmo de um cavalo bom que de vez em quando ganha a corrida. Nada mais que isso. Para ler bem, e bons autores, é preciso, portanto, fazer o recorte certo, ao mesmo tempo em que não se devem fechar as portas para o novo. Vez ou outra é indispensável lançar os olhos ao longe e captar o significado da vida além de nosso umbigo intraatlântico.

É com esses olhos que podemos ver escritores como a iraniana Dalia Sofer, que em 2007 publicou seu primeiro romance, Setembros de Shiraz (Rocco, 2008, 286 páginas). O livro retrata um problema que nós brasileiros conhecemos, seja pelo viés da história recente, seja pelo ardor da própria pele: os danos de um golpe de Estado que revira de pernas para o ar uma sociedade inteira e acabam levando alguns ao exílio. No Brasil isso foi passageiro e de baixo impacto. Já em outros lugares não se pode dizer o mesmo.

A história tem mil e um relatos sobre o assunto, mas à arte também interessa o registro da miséria e grandeza dos homens no poder e o que eles fazem quando conseguem montar o Estado Totalitário. Esta é uma das razões pelas quais os cidadãos desenraizados escrevem sobre suas experiências, e por igual motivo o leitor deve ler. (Leia o texto completo em Tribuna do Planalto)

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