segunda-feira, 27 de abril de 2009

FILMES NA TV: o playground de Inácio Araújo

Araújo: “Ufa! Já vi o filme do Charlie Kaufman, não tenho que passar mais por isso”


Sempre gostei muito de ler as resenhas mínimas de Inácio Araújo na seção de filmes na TV da Ilustrada (Folha de S. Paulo, que é basicamente o único jornal impresso que leio regularmente). Araújo tem umas tiradas ótimas, engraçadíssimas.

É como se ele se vingasse, e vinga-se, dessa tarefa de escrever sinopses de filmes, geralmente sofríveis, que passam na TV. Mas também não deixa de ser o seu playground. Em todo caso, como entende muito de cinema, seus comentários acabam sempre sendo aulas.

Por exemplo:

De Eu Sei que Vou Te Amar, do Arnaldo Jabor, ele diz:

Um tanto de Nelson Rodrigues insere-se na pena do autor, que parece também um tanto tocada pelo espírito de um Tennessee Williams. Resumindo, não é lá essas coisas.

Sobre Doze É Demais 2, com Steve Martin:

Doze é demais? Quando se trata de uma comédia sem graça, dois também.

Famoso pra Cachorro:

Depois de meter seu dono em várias confusões, cãozinho simpático ganha papel em filme. Oh, cães! Eles não largam o pé.

Nunca fale com estranhos:

Com Antonio Banderas, Rebecca DeMornay, Dennis Miller. Psicóloga começa a namorar rapaz meio estranho. Depois, começa a receber ameaças de morte. Liga uma coisa a outra. Será Banderas, o namorado, um psicopata? E o cara que escreveu semelhante argumento, será também um psicopata ou apenas uma besta?

Amnésia, um filme para se esquecer

Nesta segunda-feira, ele escreveu sobre Amnésia, e gostei do que li, porque quando vi o filme, em 2001, detestei e nem quis ler nada sobre. Muita gente gosta de Amnésia, chegando até a costurar argumentos inteligentes ao redor. Mas não consegui gostar do filme. Cheguei a dormir no meio da ‘desestória’.

Agora pude ler Araújo dizendo:

2009 tem sido um ano tão pobre para o cinema que algumas das melhores alegrias podem ser negativas. ‘Ufa! Já vi o filme do Charlie Kaufman, não tenho que passar mais por isso’, dizia alguém há dias.

Mas aí, na televisão, entra ‘Amnésia’ legítimo produto da enganação que é o ‘filme inteligente americano’. No caso, estamos às voltas com um homem que só se lembra do que passou nos últimos dez segundos, não retém nenhuma informação recente, a não ser o que anota onde pode e o que fotografa. Só sabe que a mulher foi morta e que busca vingar-se.

Em suma, trata-se de uma história simples de vingança, tipo ‘Desejo de Matar’. Apenas se complica um pouco para jogar poeira em nossos olhos.

2 comentários:

james p. disse...

Sempre gostei muito do Inácio Araújo,com sua crítica curta e certeira.Abraços,Giba.

Gilberto G. Pereira disse...

É verdade, James, é uma crítica certeira. Eu me divirto muito.
Grande abraço!