terça-feira, 9 de dezembro de 2008

CAPITU ESTRÉIA NA GLOBO

Maria Fernanda Cândido e seus olhos de ressaca como Capitu

Machado de Assis nunca esteve tão na mídia. Em comemoração aos 100 anos de sua morte, 2008 foi um palco iluminado de homenagens e exaltação da obra do grande mestre da literatura brasileira. Vários livros sobre o autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas foram lançados, além de palestras, exposições etc.

Para fechar o ano com ar de apoteose, a Globo estréia nesta terça-feira a minissérie de cinco capítulos, Capitu, baseada no romance Dom Casmurro. O diretor é Luiz Fernando Carvalho, cuja sensibilidade pôde ser comprovada na adaptação de Lavoura Arcaica, romance de Raduan Nassar, para o cinema, em 2001, em novelas e em outras minisséries, como Hoje é Dia de Maria e A Pedra do Reino (esta, baseada na obra de Ariano Suassuna), que fazem parte do mesmo projeto de Capitu.

A grande estrela da minissérie é Maria Fernanda Cândido, que fará Capitu pela segunda vez (na fase adulta, pois quem faz a Capitu adolescente de 14 anos é Letícia Persiles (25), atriz e vocalista da banda de folk rock Manacá). Maria Fernanda já fez a personagem no cinema, no filme Dom, de Moacyr Góes. Ao longo de cinco dias, o telespectador da Globo que não conhece a obra de Machado de Assis vai ter a oportunidade de entrar no universo de intrigas, amor e ciúme de Dom Casmurro.

O telespectador não perderá nada se estiver, é claro, à altura da beleza da narrativa de Machado e do recorte estético de Carvalho, que é finíssimo, poético sempre. Para quem já conhece ambos, será um deleite ver Bentinho rememorando seu tempo de amor e desgraça.

Em Dom Casmurro, a narrativa é em primeira pessoa, o tom é confessional. Logo, Bentinho reconstruiu Capitu. Se o fez com fidelidade ou não, é uma discussão ad eternum, que mudará sempre de leitor para leitor.

O que sabemos é que ele escreve suas reminiscências de um estranho amor já velho, com o capricho de detalhes, apoiando-se numa memória que, ele mesmo confessa, não é tão clara assim.

Clique aqui para acessar o site da minissérie.

4 comentários:

L.C. disse...

e aí? qual a avaliação do aluno mais inteligente da classe? a música é linda...

L.C. disse...

ah, e mesmo com vontade de olhos de ressaca, bentinho sou eu!

Gilberto G. Pereira disse...

Laura,
O mais chato é a reprodução do "modus romancis", seguindo o layout folhetinesco do livro. Mas é o de menos.
A trilha sonora é o que há de mais transgressor, mais louco, genial mesmo, no auxílio de composição das cenas.
A fotografia, o figurino, as cores do ambiente multipartido, retalhado pelas lembranças, tudo é diferente, elogiável.
A sacada de trazer o Bento velho junto ao Bento jovem é muito boa porque traz junto a dubiedade do argumento, o encontro de dois mundos, formando um espaço entre o real e o imaginado, com este dominando a narrativa.
A amargura no olhar de Bentinho velho constrasta belamente com a jovialidade e a ternura do olhar da jovem Capitu. Essa atriz que faz a Capitu jovem (Letícia Persiles) é a Capitu. Carvalho encontrou a Capitu. Capitu é ela!
O primeiro capítulo: Bentinho e Capitu jovens dançando, e o velho Casmurro chorando. É um jogo de espelhos.

Penetralia disse...

Oi, Giba, há quanto tempo!

Concordo com vc sobre Capitu. Vc viu a crítica do Diogo Mainardi na Veja?

Abraços do Lúcio Jr.