segunda-feira, 15 de junho de 2009

LEMINSKI NO ENTERRO TEU

Leminski: com homenagem no CCSP aos 20 anos de sua morte

O poeta curitibano Paulo Leminski será homenageado no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista, nesta terça-feira (16/06). Há muito não se falava nele para um público mais aberto. Uma vez entrevistei o crítico literário Wilson Martins e ele me disse que Leminski não era um grande poeta. Fazia uma poesiazinha feijão com arroz.

Talvez não esteja mesmo no panteão, mas era um poeta divertidíssimo, que trabalhava a linguagem como poucos. Seu feijão com arroz é melhor do que a poesia de muitos que foram colocados no cânone.

Martins, paulista de 88 anos que se mudou para Curitiba aos nove, é um crítico muito tradicional, autor do ótimo, e que pouca gente conhece, A palavra escrita – que veio bem antes dos grandes estudos de Roger Chartier e Alberto Manguel – e História da Inteligência Brasileira, em vários volumes, entre outros.

Mas Leminski era muito ligado ao simbolismo da palavra. Sua turma era a dos concretistas Haroldo de Campos e Augusto de Campos, turma esta que detestava Martins. O primeiro chegou a dizer que “o Brasil é o único país do mundo que tem uma história da inteligência escrita por uma pessoa que não prima pela inteligência.”

Enfim, uma briguinha que implode e infla egos, mas que não adianta nada. Aliás, em se tratando de literatura no Brasil, pouca coisa adianta. Neste caso, Leminski é uma dessas poucas coisas. E a ambigüidade desse parágrafo é uma homenagem a ele.

Seus versos minimalistas eram ótimos, os de que mais gosto, como este:

"En la lucha de clases
Todas las armas son buenas
Piedras, noches, poemas."

Por falar em homenagem, e por causa desse jeito de fazer poesia, a la Bashô, a la kaikais e concretismo, foi por causa disso que o compositor Itamar Assumpção, um de seus parceiros musicais, escreveu no dia da morte do amigo, há 20 anos, mais ou menos assim:

"Ei, Leminski!
Sou eu, Beleléu.
Não vou no enterro seu
Porque você não vai no meu.
Estamos quites.
Adeus!"

Assumpção estava certo. Morreu em 2003, aos 53 anos, e Lemisnki não estava lá.

4 comentários:

james p. disse...

Caro Giba,estou justamente terminando de ler a biografia do Leminski("O bandido que sabia latim,de Toninho Vaz).Justa homenagem ao poeta.
Você já leu o Catatau?Não consigo encontar em lugar nenhum.
Grande abraço.

Gilberto G. Pereira disse...

Hei, James, como vai! Rapaz, o Catatu foi relançado por uma editora paranaense, do escritor e jornalista Fábio Campana, em 2004. Olhei no site da Livraria Cultura e está lá. Mas acho que você também encontra na Estante Virtual. Eu também li O bandido que sabia latim e gostei muito. Aliás, é lá que tem o poeminha do Itamar Assumpção. Como não estou com meus livros, não sei se coloquei o texto direito. Quando você chegar nessa parte, me corrija, se eu estiver falhado, por favor. Agora, eu comecei a ler o Catatau, mas não fui adiante. O Paulinho Vaz falou tanto desse catatau, falava-se tanto dele que virou mito e quando a gente lê não encontra a grandeza anunciada. Em todo caso, literatura é uma questão de leitura, né, e não de defesa ou ataque, como você bem sabe. O negócio é ler e se encantar ou se desencantar. Grande abraço James! Obrigado pela visita!

Luciana Feijó disse...

Leminski para sempre.

Luciana Feijó disse...

Leminski para sempre.