quinta-feira, 4 de junho de 2009

DAVID CARRADINE: uma solenidade mínima à sua morte

Carradine: o vilão de Bruce Lee


Li em algum lugar que Jung dizia "cada vez que morre um homem me sinto diminuir porque estou englobado na humanidade." É verdade que para um sentimento desses é preciso ter uma massa psíquica, se é que isso existe, muito grande, mas Jung não era um homem insignificante. Não estou a esta altura. Por outro lado, toda vez que ouço Crying, com Roy Orbison ou não, como na vez em que vi Cidade do sonhos, de David Lynch, sinto vontade de chorar.

Mas esse sentimentalismo idiota me veio por outra razão. Foi ao saber da morte de David Carradine (encontrado morto nesta quinta-feira, 4 de abril, num hotel de Bancoc, Tailândia, onde fazia mais um filme), veja só, não por gostar dele, mas por perceber que já estou velho o bastante para cair duro de um ataque cardíaco, por causa dessas emoções que nos pegam de repente (um pouco menos, é claro). É que me lembrei de meus anos de adolescência em que tinha Bruce Lee como ídolo, e foi nessa época que, pela primeira vez, ouvi falar de David Carradine.

Bruce Lee nasceu nos Estados Unidos, mas foi com a família aos três meses para Hong Kong, já que seus pais eram atores chineses da Ópera de Pequim. Mas em 1958, aos 18 anos, Lee retornou aos Estados Unidos e começou sua saga de ator, pegando pequenos papéis, como num dos episódios de Batman, até fazer Kato no seriado O besouro verde (The green hornet).

Depois disso foi convidado a atuar no seriado Kung Fu, mas o produtor pensou melhor e o rejeitou por ter um sotaque horrível, e tinha mesmo. No lugar dele colocou David Carradine. Bruce lee ficou frustrado e eu também ao ler esta história. Desde então vi muita coisa de Carradine. Tive a oportunidade de assistir ao seriado Kung Fu e gostei muito, como também gostei de Carradine em Kill Bill. Há muito humor em suas cenas, um senso cômico muito bem medido por Tarantino.

Bruce lee não pegou o papel em Kung Fu e morreu cedo, em julho de 1973, fazendo uns cinco filmes apenas. Mas em compensação jamais será esquecido, principalmente entre os simpatizantes de filmes de ação e artes marciais. Carradine foi versátil em sua filomografia e fez mais de 200 longas, mas para mim será sempre aquele ator americano que roubou o papel de meu ídolo de adolescência. Agora ele se foi e senti esta pequena nostalgia. A vida é mesmo um troço muito estranho.

5 comentários:

Marco A. Vigario disse...

Gilberto, não conheço muita coisa do Carradine, mas também fico triste com a morte dele. Só por Kill Bill ele já havia me ganhado. A atuação dele simplesmente resume o sentido parodial do filme (misto de homenagem e tiração de sarro). E o que esse motherfucker deve ter aproveitado a vida não tá no gibi, né? rs. Abraço!

Gilberto G. Pereira disse...

É verdade, Marco. Você disse bem. Kill Bill é um filme divertido, apesar das cenas de ação e violência. E Carradine entra para a história do cinema justamente com essas duas atuações, as de kung Fu e as de Kill Bill, junto com aquele filme do Herzog. Deve ter se divertido mesmo, o motherfucker.
Grande abraço!

Leila Silva disse...

Li sobre a morte dele...o primeiro personagem que me vem é mesmo o Bill, adoro.
Abraço

Elisa disse...

Muito bom texto, Gilberto! Mostra um pouco da sua grande sensibilidade.

Gilberto G. Pereira disse...

Obrigado, Elisa! É bom saber que você acessou meu blog. Fico muito feliz.
Grande abraço!