segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Um urubu pousou na sorte de Nuno Ramos


Artista plástico bem conceituado (nos dois sentidos), Nuno Ramos acaba de criar uma polêmica, que aparentemente é algo que ele não queria, mas no fundo, essa era sua intenção. Partindo do princípio de que a arte tem de incomodar, transgredir, Ramos põe urubus em poleiro e, com a suposta brilhante ideia, faz uma instalação (Bandeira Branca) na Bienal de São Paulo 2010.

É claro que há outros adornos nesse trabalho de arte contemporânea, mas não o suficiente para abafar o caso do uso de animais vivos (logo aqueles para os quais morte é vida!). Junto com urubus, a merda.

O resultado foi uma pichação pedindo a libertação do urubu e um fechamento forçado das portas da Bienal, para em seguida ser reaberta, limpa de protesto. Em entrevista à imprensa Ramos alega que respeita a arte dos outros, porque não os outros respeitarem a sua?

O problema é que há um urubu na jogada, que não tem nada a ver com a arte de ninguém. Mas o Ibama autorizou, alegou, alegam. O Ibama precisa rever seus conceitos de preservação, de respeito ao meio ambiente, à sustentabilidade.

Por que não desenhar um urubu? Por que não uma carniça na entrada da Bienal, esperando que tais urubus viessem pousar no hall do maior evento da arte do país?

Prefiro SkyLab e sua arte de matar passarinhos, porque é teórica e não plástica. Em uma de suas canções, ele diz: “Urubu, meu companheiro,/ Te achei numa charneca/ Com as asas machucadas, te levei pra minha casa./ Te guardei numa gaiola/ Para enfeitar a sala,/ Sobre ti a noite negra, urubu, canta pra gente.”

Não consta que ele tenha matado ou capturado um urubu para esta criação. Será? No caso Ramos, parece que a ave é da espécie urubus-de-cabeça-amarela, que está na lista de animais ameaçados de extinção em São Paulo.

Ramos queria mesmo criar uma obra rara à custa da rara vida dos urubus. Não só por isso a arte contemporânea está num atoleiro só, cuja primeira reação é a da indignação. Quer pela incógnita, quer pelo mal uso da matéria prima e dos conceitos.

2 comentários:

Jane Araújo disse...

Meu apoio total à crítica contra essa "arte" insensível e insensata. A falta de boas ideias dá nisso, apelação. E o Ibama é o maior culpado da situação dos urubus, não devia ter permitido, apenas isso.

Ero Sannin disse...

me diga o que mudou eles trocaram o 6 por meia duzia pois os urubus ja naceram em um cativeiro e era menor do que o da bienal e depis de retirados no dia 80/10/2010 eles vostam para um cativeiro é como eu disse 6 por meia duzia ou a merda pela bosta