terça-feira, 1 de setembro de 2009

O equívoco em tempos de esquizofrenia

Sidney Santiago, que faz Ademir, o esquizofrênico genial de Caminho das Índias

As novelas da Globo ainda têm uma alcance impressionante, tão amplo, permeando todas as camadas da sociedade, que o tema abordado ali é o tema que se discute nas ruas e se vê estampado em capas de revistas.

Um desses objetos de discussão é a esquizofrenia, na novela Caminho das Índias, que agora chega à reta final. E a gente que vê novela se pega sondando a própria alma de maneira diferente, na desconfiança de que possa ter um pouco daquela loucura. Não as vozes, mas os buchichos do universo conspirando contra.

Basta um equívoco e um desencontro para surrarmos a consciência com o escrutínio de quem tem dupla personalidade. Uma quer denunciar a outra.

2 comentários:

Penetralia disse...

Sabe, Giba, eu penso que, como a novela é realista e limitada, ela não consegue retratar o que é a loucura.

Ela a vê de fora. Seria preciso que a câmera assumisse a loucura "de dentro". Nas novelas assépticas da Globo, isso nunca será possível...

Gilberto G. Pereira disse...

Caro Lúcio, obrigado pelo comentário! Concordo com você sobre a rasura da TV, mas tem de ser assim, né. Afinal é um meio que pretende ser heterogêneo ao extremo, e seria excludente para certos espíritos se adentrasse mais o abismo. Tem de ser uma mensagem de que todos possam tirar proveito. Vejo na representação de alguns atores, no caso de novelas, e nas deixas de textos de alguns autores, a chave da leitura. Nesse caso, qualquer risco pode ser um rio de interpretação ou de viagem mesmo, porque é onde a gente encontra as referências. As novelas nunca passarão de entretenimento, embora com um pequeno espaço para a leitura atenta, nas entrelinhas da imagem, e por isso as vejo com desprendimento, e por isso gosto de TV sem esperar muito dela, e, talvez por isso, mais uma vez, em muitos casos me encanto com o que ela me oferece. No caso desse post foi uma brincadeira com esse negócio da loucura e do fascínio pela TV, esse big brother sonolento. A TV está ligada na gente o tempo todo, pelo menos para quem gosta do veículo, né. É quase esquizofrênico o negócio, no sentido de carregar imagens e se identificar com elas, falar delas como se fossem reais, quando não passam de atributos, rasos (na maioria das vezes), claro, mas atributos. O princípio do prazer das novelas da TV é o mesmo da arte, ou seja, sentir, e por meio desse sentimento, da emoção pescada ali, conhecer, ver por outro ângulo, reconhecer. A diferença, bem, a diferença todos sabemos. É uma questão de grau.
Grande abraço!