sábado, 30 de julho de 2011

Gullar versus Campos

Ferreira Gullar e Augusto de Campos se digladiaram na Folha de S. Paulo. Em sua coluna na Ilustrada, de 17 de julho, Gullar diz que em 1954 Augusto de Campos e Haroldo de Campos e Décio Pignatari o haviam procurado para falar da renovação da poesia brasileira, citando “os poetas brasileiros que, no seu entender, representavam um caminho para a renovação: Mário de Andrade, Drummond, Cabral. Oswald de Andrade estava fora.”

Foi aí que Gullar teria defendido Oswald de Andrade, e os três então teriam repensando e incluído o poeta na lista. Augusto “ficou de relê-lo e da releitura que fizeram resultou a redescoberta de Oswald de Andrade.”

Neste sábado, 30 de julho, Augusto de Campos deu o troco. Disse que Gullar “esqueceu de dizer que sua cabeça só funciona para engrandecer-se. Lembra que, gênio precoce, foi campeão de bolinha-de-gude. E vive trocando as bolas, sempre em proveito próprio.”

Disse mais: “Ninguém precisou de Gullar e sua vã gloríola. A sua grande contribuição: descobriu em Oswald duas qualidades, humor e frescor. Nenhuma tem Gullar. Guloso e ressentido, diz que a poesia concreta é tolice, mas quer ser seu precursor... O "Lance de Dados", de Mallarmé? "Pensou" em traduzir... Só que foi Haroldo o tradutor. (...) O papo furado sobre Oswald é porque nós o resgatamos.”

Ferreira Gullar tem 80 anos. Augusto de Campos tem 80 anos, e escreve bolinha de gude entre hífens. Gosto dos dois, por razões diferentes. O primeiro é um poeta melhor, claro, é dos grandes, e o segundo é um grande leitor e tradutor.

Mas ambos já deram o que tinha que dar. Estão se repetindo, inclusive nas ofensas.

Quer saber! Os dois que vão procurar uma nova metáfora. Se não tiveram mais cabeça pra isso, vão procurar um livro pra resenhar. Chega!

5 comentários:

Daniel Scandurra disse...

olá... por favor explique a frase:

"O primeiro é um poeta melhor, claro, é dos grandes, e o segundo é um grande leitor e tradutor."

não sei se entendi

Gilberto G. Pereira disse...

Tanto Ferreira Gullar quanto Augusto são poetas. Mas acho Gullar melhor que Campos como poeta. No entanto, se você já leu Rimbaud livre, da editora Perspectiva, traduzido por Augusto de Campos, ou se conhece as traduções que ele fez a seis mãos junto com Haroldo e Décio Pignatari, de Mallarmé, pela editora Signos, você entende o que eu quero dizer com 'leitor'. Ele, Augusto de Campos, sabe ler o espírito humano que está dentro das letras, do verbo, da palavra, dos versos, sabe fazer isso como ninguém. Foi isso que quis dizer.

Gilberto G. Pereira disse...

Sondei seus blogs e vi que você certamente agora entende o que digo, mesmo não concordando, talvez.

Webston Moura disse...

É mesmo, viu, Gilberto! A essa altura os dois deveriam ter encerrado essas disputas. Mas sabe o que é isso? Ressentimentos antigos que o tempo não apagou. O que é a vaidade...

Abraços!

Gilberto G. Pereira disse...

Pois é, né, Webston! Não precisam disso. Aliás, Augusto de Campos foi bem agressivo na defesa da honra de não ter precisado de Gullar para reconhecer a literatura de Oswald de Andrade. Enfim, e la nave vá. Abraços!