Mais 32 frases de Grande sertão: veredas – a sabedoria de Riobaldo 2 - Leituras do Giba

Criado em 2007, este blog é focado em literatura e humanidades e no acervo que as rodeia, com ênfase em jornalismo literário, literatura contemporânea, clássicos, cultura afrodescendente e decolonialidade pelo viés da crítica literária, da comunicação e da sociologia da cultura. Seja bem-vindo(a)!

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sexta-feira, 20 de março de 2026

Mais 32 frases de Grande sertão: veredas – a sabedoria de Riobaldo 2


Em 2009, o Leituras compilou e publicou 42 frases do romance Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, mas a compilação foi colhida só até a página 371.

O feixe de imagens impressas nestas 32 frases é grandioso tanto quanto as que vieram no lote de 42, embora lá elas apareçam com mais densidade. Riobaldo estava mais falante. À medida que o romance vai chegando ao fim, privilegia-se a ação rumo ao desfecho, e a reflexão se esconde um pouco.

Mesmo assim, podemos ler observações profundamente filosóficas e agudas da vida, como “quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade”, ou “sossego traz desejos”. Para quem quer ser anti-Nietzsche, pode dizer: “Homem tem nojo é do humano.” E para quem deseja ser freudiano, ou até mais revelador que Freud, pode se agarrar à verificação metafísica desta frase: “E o demo existe? Só se existe o estilo dele, solto, sem um ente próprio – feito remanchas n’água.”

 
A quem possa interessar, seguem agora as frases roseanas, a partir da página 373 de Grande sertão: veredas, que está fazendo 70 anos em 2026. Esta postagem é antiga, mas como estou redesenhando a interface do blog, trouxe ela para cima, e, ao fazer isso, a data original da publicação se perdeu. Boa leitura!


“Posso me esconder de mim?” 

“Amor é assim – o rato que sai dum buraquinho: é um ratazão, é um tigre leão.”

“O pássaro que se separa de outro, vai voando adeus o tempo todo.”

“O sertão é confusão em grande demasiado sossego.”

“Aqui digo: que se teme por amor; mas que, por amor, também, é que a coragem se faz.”

“A gente principia as coisas, no não saber por que, e desde aí perde o poder de continuação.”

“Só quando se tem rio fundo, ou cava de buraco, é que a gente por riba põe ponte.”

“Muito quieto é que a gente chama o amor: como em quieto as coisas chamam a gente.”

“Um menino nasceu – o mundo tornou a começar.”

“Arejei que toda criatura merecia tarefa de viver.”

“E o demo existe? Só se existe o estilo dele, solto, sem um ente próprio – feito remanchas n’água.”

“Ao que tropecei, e o chão não quis minha queda.”

“Minha alma tem de ser de Deus: se não, como é que ela podia ser minha?”

“Meu medo é esse. Todos não vendem? Digo ao senhor: o diabo não existe, não há, e a ele eu vendi a alma... Meu medo é este. A quem vendi? Medo meu é este, meu senhor: então, a alma, a gente vende, só, é sem nenhum comprador...”

“O amor só mente para dizer maior verdade.”

“O sertão aceita todos os nomes.”

“O que não existe de se ver, tem força completa demais, em certas ocasiões.”

“Um homem é um homem, no que não vê e no que consome.”

“Homem tem nojo é do humano.”

“O sertão não tem janelas nem porta. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos governa...”

“Um lugar conhece o outro é por calúnias e falsos levantados; as pessoas também, nesta vida.”

“A vida é um vago variado.”

“Picapau voa é duvidando do ar.”

“Sossego traz desejos.”

“Hoje-em-dia eu nem sei o que sei, e, o que soubesse, deixei de saber o que sabia...” (Diadorim falando pra Riobaldo)

“Quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade.”

“Tinha medo não. Tinha era cansaço de esperança.”

“Sertão: quem sabe dele é urubu, gavião, gaivota, esses pássaros: eles estão sempre no alto, apalpando ares com pendurado pé, com o olhar remedindo a alegria e as misérias todas...”

“Aprender-a-viver é que é o viver, mesmo.”

“A vida da gente nunca tem termo real.”

“O existir da alma é a reza.”

“O diabo não há! É o que eu digo, se for... Existe é homem humano. Travessia.”

...
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