Adoro cinema. Tenho gravado na minha memória 33 diretores que rondam minha alma. Cláudio Assis é um deles. Akira Kurosawa é outro. Woody Allen, Kubrick, Tim Burton, Fellini, Bergman.
Mas, ao longo da minha vida fui criando manias estranhas que me atrapalham a curtir certos tipos de filme.
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Há filmes que amei ver que jamais vejo de novo com receio de não gostar na segunda vez. Um exemplo é Ran, do próprio Kurosawa.
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Há filmes que só vejo lendo um livro, como Duna, de Denis Villeneuve, ou Eureka, de Shinji Aoyama.
-3
Com os streamings, há filmes que só vejo em pedaços, vejo um pouco hoje, vejo outro pouco amanhã, e assim até terminar, como alguns filmes de aventura ou de ação.
-4
Há filmes que só vejo quando estão passando na tevê, como Feitos um Para o Outro, de Rob Reiner, ou Encontro às Escuras, de Blake Edwards, jamais vou a um streaming, ou paro diante da tevê para vê-los. E eu amo esses dois filmes.
-5
Há filmes que só vejo pulando cenas no fast foreward, como Velozes e Furiosos.
-6
Há filmes que só vejo acompanhado de minha mulher.
-7 E há filmes que só vejo bêbado, como alguns de comédias pastelão.
Um exemplo desta última mania é Como nos Conhecemos, com Adam Devine. Eu adoro esse filme porque tem viagem no tempo, é um gênero que consegue prender minha atenção, mas este filme em particular é uma comédia absurdamente boba, que eu morro de rir vendo, mas só se eu estiver bêbado. E não é vergonha, não, porque amo A Herança de Mr. Deeds e Esposa de Mentirinha, com Adam Sandler, e sempre vejo esses filmes do começo ao fim, sempre morrendo de rir.
Outro filme que acho que vi quando estava bêbado é Fim de semana prolongado, com Zoë Chao, porque fiz uma anotação no meu laptop que não faz sentido nenhum. Ou será que faz? Na anotação estava escrito o seguinte:
“No filme Fim de semana prolongado, um rapaz conhece uma moça que diz ter vindo do futuro. Ele pede para ela provar. Ela então pegou o violão e tocou e cantou uma música que ela disse ser a música de sua banda favorita do futuro.
Como ele nunca tinha ouvido aquela canção, ele acreditou nela. Sempre haverá um cético que dirá que há muitos furos nesta específica maneira de provar essa viagem no tempo, mas o que há por trás dessa bela metáfora temporal, além da leveza do próprio humor, quase imperceptível, é a própria relação da música com o ser e com o tempo, ou com o ser do tempo e com o tempo do ser.”


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