Sem misoginia - por uma valorização da autoria feminina - Leituras do Giba

Criado em 2007, este blog é focado em literatura e humanidades e no acervo que as rodeia, com ênfase em jornalismo literário, literatura contemporânea, clássicos, cultura afrodescendente e decolonialidade pelo viés da crítica literária, da comunicação e da sociologia da cultura. Seja bem-vindo(a)!

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sábado, 28 de março de 2026

Sem misoginia - por uma valorização da autoria feminina


Misoginia no Brasil está a um passo de se tornar crime. Pensei em escrever alguma coisa sobre literatura e misoginia (talvez ainda escreva), passando por personagens misóginos e autores misóginos, mas considerei que falar dos homens que não amam as mulheres neste contexto, tendo que citar trechos de misoginia, talvez fosse dar mais corda a esses espíritos perturbados.

Então, corri para a lista do Prêmio Nobel de Literatura para dar uma olhada na relação entre vencedores homens e mulheres. O número de mulheres que venceram no século XX é o mesmo, o mesminho, do número de vencedoras no século XXI até 2025. 


Ou seja, entre os 100 anos do Nobel, de 1901 a 2000, e os 25 anos deste século, há um tipo de abismo em relação à importância que se dá às mulheres. Não podemos apontar com exatidão a razão por que poucas mulheres ganharam o Nobel ao longo do século XX, mas podemos dizer que entre os motivos há machismo e um certo olhar misógino para o que as autoras produziam.


Embora ainda seja uma distância considerável entre gêneros (16 homens para 9 mulheres), o grau de valorização proporcional encurtou. Há diversos crivos para se fazer esse tipo de avaliação. O Nobel é apenas mais um circuito de consagração da literatura, mas um circuito muito importante, carregado de significado político, de quem angaria mais prestígio cultural, de quem acumula mais capital simbólico.


O convite que faço aos leitores do Leituras do Giba é que olhem bem para essas escritoras incríveis e procurem lê-las. Vocês se surpreenderão com o que podem aprender com elas. 


Os trechos citados entre aspas, traduzidos por mim, são afirmações da academia sueca, que concede o Prêmio Nobel de Literatura (fonte: Wikipédia.org), e as imagens são todas liberadas pelos Criative Commons.



Século XX



Selma Lagerlöf (1858–1940) - Prêmio Nobel de Literatura de 1909


Romancista e contista sueca, que ganhou graças a “seu imponente idealismo, imaginação vívida e percepção espiritual que caracterizam sua escrita”.



Grazia Deledda (1871–1936) - Prêmio Nobel de Literatura de 1926


Romancista e poeta italiana, da Sardenha. Recebeu o Nobel “por sua escrita idealisticamente inspirada, que com claridade plástica retrata a vida na sua ilha nativa, e com profundidade e simpatia lida com problemas humanos em geral”.



Sigrid Undset (1882–1949) - Prêmio Nobel de Literatura de 1928 


Romancista norueguesa. Prêmio Nobel “principalmente por sua poderosa descrição da vida nórdica durante a Idade Média”. 



Pearl Buck (1892–1973) - Prêmio Nobel de Literatura de 1938 


Romancista e biógrafa americana. Filha de pais missionários presbiterianos, foi criada na China desde os três anos de idade. Ganhou o Nobel “por suas descrições rica e verdadeiramente épicas da vida rural na China, e pelas suas obras-primas escrevendo biografias”.



Gabriela Mistral (1889–1957) - Prêmio Nobel de Literatura de 1945 


Poeta chilena, premiada “por sua poesia lírica, que, inspirada por emoções poderosas, fez de seu nome um símbolo de aspirações idealísticas de todo o mundo latino-americano”.



Nelly Sachs (1891–1970) - Prêmio Nobel de Literatura de 1966 


Dramaturga e poeta sueca-alemã, que ganhou o Prêmio Nobel “pela sua excepcional escrita poética e dramática, que interpreta o destino de Israel com uma força tocante”.



Nadine Gordimer (1923–2014) - Prêmio Nobel de Literatura de 1991 


Romancista, contista, ensaísta e dramaturga sul-africana, “que através de sua magnífica escrita épica foi - nas palavras de Alfred Nobel - de grande benefício para a humanidade”. 



Toni Morrison (1931–2019) - Prêmio Nobel de Literatura de 1993 


Romancista e ensaísta americana, “que, em romances caracterizados por uma força visionária e propósito poético, dá vida para um aspecto essencial da realidade americana”. 



Wisława Szymborska (1923–2012) - Prêmio Nobel de Literatura de 1996 


Poeta, ensaísta e tradutora polonesa, que ganhou o Nobel “por uma poesia que, com precisão irônica, permite que o contexto histórico e biológico venha à luz em fragmentos de realidade humana”.



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Século XXI


Elfriede Jelinek (1946 - ) - Prêmio Nobel de Literatura de 2004 


Romancista e dramaturga austríaca, que ganhou o Nobel “por seu fluxo musical de vozes e contravozes nos romances e nas peças que, com um zelo linguístico extraordinário, revela o absurdo dos clichês sociais e seu poder de subjugar”.



Doris Lessing (1919–2013) - Prêmio Nobel de Literatura de 2007 


Romancista, contista, memorialista, dramaturga, poeta e ensaísta inglesa, nascida no Irã, “autora épica das experiências femininas, que, com ceticismo, fogo e força visionária, sujeitou uma civilização dividida ao escrutínio”.



Herta Müller (1953 - ) - Prêmio Nobel de Literatura de 2009 


Romancista, contista, poeta e ensaísta alemã, “que, com a concentração da poesia e a franqueza da prosa, retrata a paisagem dos despossuídos”. 



Alice Munro (1931–2024) - Prêmio Nobel de Literatura de 2013 


Contista canadense, “mestre do conto contemporâneo”.



Svetlana Alexievich (1948 - ) - Prêmio Nobel de Literatura de 2015 


Ensaísta e jornalista bielorrussa, que ganhou o Nobel “por sua escrita polifônica, um monumento ao sofrimento e coragem em nosso tempo.”



Olga Tokarczuk (1962 - ) - Prêmio Nobel de Literatura de 2018 


Romancista, contista, poeta, ensaísta e roteirista polonesa, que ganhou o Nobel “por uma imaginação narrativa que, com paixão enciclopédica, representa o cruzamento de fronteiras como uma forma de vida”.



Louise Glück (1943–2023) - Prêmio Nobel de Literatura de 2020 


Poeta e ensaísta americana, que ganhou o Nobel “por sua voz inequivocamente poética que, com beleza austera, faz da existência individual uma experiência universal”.



Annie Ernaux (1940 - ) - Prêmio Nobel de Literatura de 2022 


Romancista e memorialista francesa, premiada “pela coragem e acuidade clínica com as quais ela descobre as raízes, os estranhamentos e as restrições da memória pessoal”.



Han Kang (1970 - ) - Prêmio Nobel de Literatura de 2024 


Poeta e romancista sul-coreana, que ganhou o Nobel “por sua intensa prosa poética que confronta os traumas históricos e expõe a fragilidade da vida humana.”



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A maioria dessas autoras têm livros publicados em português do Brasil. Se você quiser comprar os livros delas, ajude nosso blog comprando no site da Amazon, que mantém uma parceria com o Leituras do Giba. Escolha um título, ou mais de um, clicando nas figuras abaixo.




Alice Munro 

Felicidade demais

Ódio amizade namoro amor casamento

Vidas de meninas e mulheres



Annie Ernaux 

Caixa Annie Ernaux

Memória de menina

Os anos

Paixão Simples



Doris Lessing 

As avós

Amor de novo



Gabriela Mistral 

A Mulher Forte e outros poemas

Poemas escolhidos


Grazia Deledda 

A cidade do vento

Elias Portolu



Han Kang 

A vegetariana

Atos humanos

O livro branco

Sem despedidas



Herta Müller

Depressões

Minha Pátria era um Caroço de Maçã

O homem é um grande faisão no mundo



Louise Glück 

Discurso do prêmio Nobel 2020

Poemas

Receitas de inverno da comunidade



Nadine Gordimer 

A arma da casa

Beethoven era 1/16 negro

O melhor tempo é o presente

Tempos de Reflexão - de 1954 a 1989

Tempos de Reflexão - de 1990 a 2008



Olga Tokarczuk 

Escrever é muito perigoso - Ensaios e conferências

Sobre os ossos dos mortos



Pearl Buck 

A Grande Travessia



Selma Lagerlöf 

Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson

O anel dos Löwensköld

Os Milagres do Anticristo



Sigrid Undset 

Catarina de Siena



Svetlana Alexievich 

A guerra não tem rosto de mulher

As últimas testemunhas - Crianças na Segunda Guerra Mundial

O fim do homem soviético

Vozes de Tchernóbil - Crônica do Futuro



Toni Morrison 

Amada

O olho mais azul

Sula

Voltar para casa



Wisława Szymborska 

Para o meu coração num domingo

Poemas

Um amor feliz

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