Misoginia no Brasil está a um passo de se tornar crime. Pensei em escrever alguma coisa sobre literatura e misoginia (talvez ainda escreva), passando por personagens misóginos e autores misóginos, mas considerei que falar dos homens que não amam as mulheres neste contexto, tendo que citar trechos de misoginia, talvez fosse dar mais corda a esses espíritos perturbados.
Então, corri para a lista do Prêmio Nobel de Literatura para dar uma olhada na relação entre vencedores homens e mulheres. O número de mulheres que venceram no século XX é o mesmo, o mesminho, do número de vencedoras no século XXI até 2025.
Ou seja, entre os 100 anos do Nobel, de 1901 a 2000, e os 25 anos deste século, há um tipo de abismo em relação à importância que se dá às mulheres. Não podemos apontar com exatidão a razão por que poucas mulheres ganharam o Nobel ao longo do século XX, mas podemos dizer que entre os motivos há machismo e um certo olhar misógino para o que as autoras produziam.
Embora ainda seja uma distância considerável entre gêneros (16 homens para 9 mulheres), o grau de valorização proporcional encurtou. Há diversos crivos para se fazer esse tipo de avaliação. O Nobel é apenas mais um circuito de consagração da literatura, mas um circuito muito importante, carregado de significado político, de quem angaria mais prestígio cultural, de quem acumula mais capital simbólico.
O convite que faço aos leitores do Leituras do Giba é que olhem bem para essas escritoras incríveis e procurem lê-las. Vocês se surpreenderão com o que podem aprender com elas.
Os trechos citados entre aspas, traduzidos por mim, são afirmações da academia sueca, que concede o Prêmio Nobel de Literatura (fonte: Wikipédia.org), e as imagens são todas liberadas pelos Criative Commons.
Século XX
Selma Lagerlöf (1858–1940) - Prêmio Nobel de Literatura de 1909
Romancista e contista sueca, que ganhou graças a “seu imponente idealismo, imaginação vívida e percepção espiritual que caracterizam sua escrita”.
Grazia Deledda (1871–1936) - Prêmio Nobel de Literatura de 1926
Romancista e poeta italiana, da Sardenha. Recebeu o Nobel “por sua escrita idealisticamente inspirada, que com claridade plástica retrata a vida na sua ilha nativa, e com profundidade e simpatia lida com problemas humanos em geral”.
Sigrid Undset (1882–1949) - Prêmio Nobel de Literatura de 1928
Romancista norueguesa. Prêmio Nobel “principalmente por sua poderosa descrição da vida nórdica durante a Idade Média”.
Pearl Buck (1892–1973) - Prêmio Nobel de Literatura de 1938
Romancista e biógrafa americana. Filha de pais missionários presbiterianos, foi criada na China desde os três anos de idade. Ganhou o Nobel “por suas descrições rica e verdadeiramente épicas da vida rural na China, e pelas suas obras-primas escrevendo biografias”.
Gabriela Mistral (1889–1957) - Prêmio Nobel de Literatura de 1945
Poeta chilena, premiada “por sua poesia lírica, que, inspirada por emoções poderosas, fez de seu nome um símbolo de aspirações idealísticas de todo o mundo latino-americano”.
Nelly Sachs (1891–1970) - Prêmio Nobel de Literatura de 1966
Dramaturga e poeta sueca-alemã, que ganhou o Prêmio Nobel “pela sua excepcional escrita poética e dramática, que interpreta o destino de Israel com uma força tocante”.
Nadine Gordimer (1923–2014) - Prêmio Nobel de Literatura de 1991
Romancista, contista, ensaísta e dramaturga sul-africana, “que através de sua magnífica escrita épica foi - nas palavras de Alfred Nobel - de grande benefício para a humanidade”.
Toni Morrison (1931–2019) - Prêmio Nobel de Literatura de 1993
Romancista e ensaísta americana, “que, em romances caracterizados por uma força visionária e propósito poético, dá vida para um aspecto essencial da realidade americana”.
Wisława Szymborska (1923–2012) - Prêmio Nobel de Literatura de 1996
Poeta, ensaísta e tradutora polonesa, que ganhou o Nobel “por uma poesia que, com precisão irônica, permite que o contexto histórico e biológico venha à luz em fragmentos de realidade humana”.
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Século XXI
Elfriede Jelinek (1946 - ) - Prêmio Nobel de Literatura de 2004
Romancista e dramaturga austríaca, que ganhou o Nobel “por seu fluxo musical de vozes e contravozes nos romances e nas peças que, com um zelo linguístico extraordinário, revela o absurdo dos clichês sociais e seu poder de subjugar”.
Doris Lessing (1919–2013) - Prêmio Nobel de Literatura de 2007
Romancista, contista, memorialista, dramaturga, poeta e ensaísta inglesa, nascida no Irã, “autora épica das experiências femininas, que, com ceticismo, fogo e força visionária, sujeitou uma civilização dividida ao escrutínio”.
Herta Müller (1953 - ) - Prêmio Nobel de Literatura de 2009
Romancista, contista, poeta e ensaísta alemã, “que, com a concentração da poesia e a franqueza da prosa, retrata a paisagem dos despossuídos”.
Alice Munro (1931–2024) - Prêmio Nobel de Literatura de 2013
Contista canadense, “mestre do conto contemporâneo”.
Svetlana Alexievich (1948 - ) - Prêmio Nobel de Literatura de 2015
Ensaísta e jornalista bielorrussa, que ganhou o Nobel “por sua escrita polifônica, um monumento ao sofrimento e coragem em nosso tempo.”
Olga Tokarczuk (1962 - ) - Prêmio Nobel de Literatura de 2018
Romancista, contista, poeta, ensaísta e roteirista polonesa, que ganhou o Nobel “por uma imaginação narrativa que, com paixão enciclopédica, representa o cruzamento de fronteiras como uma forma de vida”.
Louise Glück (1943–2023) - Prêmio Nobel de Literatura de 2020
Poeta e ensaísta americana, que ganhou o Nobel “por sua voz inequivocamente poética que, com beleza austera, faz da existência individual uma experiência universal”.
Annie Ernaux (1940 - ) - Prêmio Nobel de Literatura de 2022
Romancista e memorialista francesa, premiada “pela coragem e acuidade clínica com as quais ela descobre as raízes, os estranhamentos e as restrições da memória pessoal”.
Han Kang (1970 - ) - Prêmio Nobel de Literatura de 2024
Poeta e romancista sul-coreana, que ganhou o Nobel “por sua intensa prosa poética que confronta os traumas históricos e expõe a fragilidade da vida humana.”
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Alice Munro
Felicidade demais
Ódio amizade namoro amor casamento
Vidas de meninas e mulheres
Annie Ernaux
Caixa Annie Ernaux
Memória de menina
Os anos
Paixão Simples
Doris Lessing
As avós
Amor de novo
Gabriela Mistral
A Mulher Forte e outros poemas
Poemas escolhidos
Grazia Deledda
A cidade do vento
Elias Portolu
Han Kang
A vegetariana
Atos humanos
O livro branco
Sem despedidas
Herta Müller
Depressões
Minha Pátria era um Caroço de Maçã
O homem é um grande faisão no mundo
Louise Glück
Discurso do prêmio Nobel 2020
Poemas
Receitas de inverno da comunidade
Nadine Gordimer
A arma da casa
Beethoven era 1/16 negro
O melhor tempo é o presente
Tempos de Reflexão - de 1954 a 1989
Tempos de Reflexão - de 1990 a 2008
Olga Tokarczuk
Escrever é muito perigoso - Ensaios e conferências
Sobre os ossos dos mortos
Pearl Buck
A Grande Travessia
Selma Lagerlöf
Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson
O anel dos Löwensköld
Os Milagres do Anticristo
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O fim do homem soviético
Vozes de Tchernóbil - Crônica do Futuro
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O olho mais azul
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Um amor feliz


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