BELEZA DOADA - Leituras do Giba

Criado em 2007, este blog é focado em literatura e humanidades e no acervo que as rodeia, com ênfase em jornalismo literário, literatura contemporânea, clássicos, cultura afrodescendente e decolonialidade pelo viés da crítica literária, da comunicação e da sociologia da cultura. Seja bem-vindo(a)!

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terça-feira, 20 de maio de 2008

BELEZA DOADA


“A beleza de uma mulher não é só dela. É parte do dote que ela traz ao mundo. Ela tem o dever de repartir com os outros.”

A frase, retirada do livro de J. M. Coetzee (Desonra), parece machista, mas revela um traço singular da alma humana. Todo ser sensível já se deparou um dia com algo tão belo, tão encantador que sentiu vontade de levar consigo.

Uma mulher não é um simples objeto. Ela pensa e sente, ela tem o privilégio do usufruto da razão. A frase faz da razão uma arma para reivindicar, exigir, assaltar a beleza feminina.

A frase quer convencer a mulher bonita de que ela, por ser mulher e ser pensante, e bela, tem o dever de compartilhar essa beleza, porque ela mesma sabe o quão irresistível é o belo.

Por ser elemento da Natureza, por ser objeto estético e de reflexão social, a beleza de uma mulher é fonte necessária da vitalidade do olhar, do toque, do acolhimento de todos nós.

A frase sugere uma ampliação do conceito de doação. Todas as mulheres devem ser belas. Todos os homens devem usufruir dessa beleza. É como passar num jardim e se sentir no direito de levar uma flor, porque todo jardim deve ser repartido. O Paraíso democratizado. Canalhice ou verdade?

Um comentário:

Anônimo disse...

Não é uma canalhice, mas uma forma de exercitar a sensibilidade e, por extensão, o próprio amor...

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