O Governo das Big Techs - Yuval Harari tinha razão - Leituras do Giba

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terça-feira, 14 de abril de 2026

O Governo das Big Techs - Yuval Harari tinha razão

Conquista do México por Cortés - cidade de Tenochtitlan, capital monumental do Império Asteca

No livro Sapiens – uma breve história da humanidade, Yuval N. Harari faz uma análise certeira sobre como as sociedades humanas se organizam, e mostra que não funcionamos de modo muito diferente de animais cujos hábitos são de vida em grupo, e um dia nos aproximaremos de animaizinhos muito organizados como formigas e abelhas, distopicamente.

Segundo Harari, desde que os homo sapiens domesticaram plantas e animais, e passaram a se assentar, controlando territórios e pessoas, em vez de levar a vida louca das mudanças (embora a migração continue a todo vapor), o mundo nunca mais foi o mesmo. As concentrações de riqueza não pararam, e as mudanças de poder só são feitas na porrada.


“Hoje, a maioria de nós fala, pensa e sonha em línguas imperiais que foram impostas a nossos ancestrais pela espada”, lembra o autor. Inclusive este que vos escreve é fruto de uma semente trazida pelos ventos da colonização escravizadora. “A verdade é que o império foi a forma mais comum de organização política do mundo nos últimos 2,5 mil anos”, diz Harari.


As culturas dos subjugados se dissolvem no corpo do império, e quando o império acaba, já é outra coisa que o substitui, não os subjugados. 


“Por exemplo, quando o Império Romano do Ocidente finalmente sucumbiu às tribos germânicas invasoras em 476, os numantinos, arvernos, helvécios, samnitas, lusitanos, umbrianos, etruscos e centenas de outros povos esquecidos que os romanos haviam conquistado séculos antes não emergiram da carcaça estripada do império, como Jonas da barriga do grande peixe. Não restou nenhum deles. Os descendentes biológicos dos povos que haviam se identificado como membros dessas nações, que falavam sua língua, cultuavam seus deuses e disseminavam seus mitos e lendas, agora pensavam, falavam e cultuavam como os romanos.”


Por isso mesmo, a humanidade um dia poderá se tornar uma sociedade tão única e uniforme que talvez seja comparada a de uma sociedade de abelhas, ou de formigas, para ser mais fiel ao protótipo evolutivo, uma vez que alguns tipos de formigas escravizam. Que horror! Obviamente, cabe a nós, os subalternos a luta contra as tiranias.


Leia isso. “Desde mais ou menos 200 a.C., a maioria dos humanos viveu em impérios. Parece provável que no futuro também a maioria dos humanos viva em um. Mas, dessa vez, o império será verdadeiramente global. A visão imperial de um único domínio sobre o mundo inteiro pode ser iminente.”


Este domínio não seria de um Estado em particular, mas de uma elite multiétnica, diz Harari, um domínio “unido por cultura e interesses em comum”, composto por “empresários, engenheiros, especialistas, acadêmicos, advogados e gerentes”.


Talvez daí, em sua conclusão, Harari diga isso: “Os ativistas dos direitos humanos temem que a engenharia genética possa ser usada para criar super-homens que subjugarão o resto de nós. Profetas Jeremias oferecem visões apocalípticas de bioditaduras que clonarão soldados destemidos e trabalhadores obedientes.”


De fato, olhemos para superpotências de mercado e vemos as Big Techs, que já dominam a sociedade de consumo, impondo-lhes vontade por meio dos algoritmos, tentando dominar politicamente todo o globo. Hoje, tentam fazer isso na pessoa de um tresloucado que não sabe criar estratégias. Mas, e amanhã, quando entrar alguém que saiba?


Segundo o pai da Ciência Política Moderna, Nicolau Maquiavel, política é a luta pela conquista, manutenção e expansão do poder. Essa máxima maquiavélica é traduzida por Harari, que diz:


“A maioria dos grandes impérios só estendia seu controle sobre a vizinhança imediata – só chegava a terras distantes porque a vizinhança continuava se expandindo. Assim, os romanos conquistaram a Etrúria a fim de defender Roma (c. 350-300 a.C.). Então conquistaram o vale do Pó a fim de defender a Etrúria (c. 200 a.C.). Em seguida, conquistaram Provença para defender o vale do Pó (c. 120 a.C.), a Gália para defender Provença (c. 50 a.C) e a Britânia para defender a Gália (c. 50). Eles levaram 400 anos para chegar de Roma a Londres. Em 350 a.C., nenhum romano teria concebido navegar diretamente à Britânia e conquistá-la.” 



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