segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Cool Heart – diário de viagem a Nova York (15)

                                                  Foto: Gilberto G. Pereira
Vista parcial do Aeroporto J. F. Kennedy, em Nova York, na manhã de nosso regresso ao Brasil    

Dia 15 (20 de julho de 2016) - final

O título do livro de Umberto Eco, Viagem na irrealidade cotidiana, não teve uma inspiração direta na cidade de Nova York, mas o autor analisa uma série de coisas reverenciadas pelos americanos, do ponto de vista da semiótica, como castelos medievais reproduzidos na terra do Tio Sam, a reconstrução do faroeste na Disney, a cidade de Las Vegas com suas reproduções arquitetônicas simbólicas.

“A imaginação norte-americana deseja a coisa verdadeira e para atingi-la deve realizar o falso absoluto”, diz Eco. Quanto mais o falso se aproxima do verdadeiro, mais absoluto ele é e, portanto, mais verdadeiro. Central Park, por exemplo, é um falso-absoluto, porque nada ali é natural da vegetação local, mas interage com o resto da paisagem urbana como se fosse um quadro original da época dos índios.

Nova York é abordada no texto As fortalezas da solidão, o primeiro texto do primeiro capítulo do livro de Eco. Foi onde li pela primeira vez sobre o Museu da Cidade de Nova York. O museu tem peças de arte e históricas, com textos de testemunho e de análise, fotos, vídeos, tudo com o propósito de recriar a memória da cidade.

Neste sentido, Nova York, que já foi um imenso laboratório do falso absoluto, aventura narrada em NovaYork delirante, é hoje um autêntico espaço urbano cosmopolita, e a menos americana das cidades americanas.

O museu fica instalado de modo discreto, na comparação com as vedetes das artes como Metropolitan, Guggenheim e MoMA,  num prédio de arquitetura clássica na 5ª Avenida, entre as Ruas 103 e 104, Upper East Side, de frente para o Central Park.

Memórias
No dia 20 de julho, o último em que eu pisaria os pés pelas ruas da cidade naquela viagem, fui sozinho a dois museus, o MoMA e o Museu da Cidade de Nova York. Tinha planos de ir ainda ao Metropolitan, mas inventei de deixá-lo para último e me esqueci do cansaço, que bateu forte, fazendo-me desistir da jornada.

Esse tipo de visita deve ser feito com calma, de pelo menos um dia todo para cada instituição, e assim repetir a visita por uns bons pares de vezes. Na falta de tempo, dediquei algumas horas em cada museu e voltei para casa contente com os registros, mentais e fotográficos, de muita coisa boa.

Mas no MoMA me deparei com uma mostra gigante de Degas, embora já tivesse visto uma considerável exposição do artista francês no Museu de Artes de São Paulo (MASP), e fiquei um pouco enjoado com o senso estético pedófilo dele.

Também vi peças inacreditáveis do que se chama de arte moderna, como de Marcel Duchamp, de Yayoi Kusama (uma poltrona cujo tecido tem a saliência de pênis em toda a superfície).

Havia muita coisa de extremo bom gosto e outras mil faces do modernismo que valem pelo experimentalismo estético, pela transgressão dos valores, mas que certamente entram no coração de poucos como moradia.

No Museu da Cidade de Nova York, o passeio foi dominado pela olhar ao passado. Tudo que existe ali é para contar a história da cidade, desde a chegada dos holandeses, capitaneada por Henry Hudson, inglês contratado pela Companhia das Índias Orientais, passando pela entrega da cidade aos britânicos, a pluralidade cultural desde o início, até a tragédia do ataque terrorista às Torres Gêmeas.

Na saída, conversei com uma simpática vendedora da livraria do museu. Eu queria encontrar um livro de história de Nova York. Tinha uma lista de títulos como First Manhattans - a history of the greater New York, de Robert S. Grumet, Gotham - a history of New York City to 1898, de Edwin G. Burrows e Mike Wallace, e Rise and fall of New York City, de Roger Star.

Desses da minha lista, só encontrei Gotham, mas era um calhamaço sem nenhuma ilustração, e eu me desanimei. A vendedora então me sugeriu New York – an ilustrated history (formato revista, de 626 páginas), de Ric Burns e James Sanders. Gostei, comprei e disse adeus à livraria de minha última aquisição em Nova York.

Comprei alguns livros na Big Apple. Mas queria ter comprado mais. Na minha lista de desejos, além das obras escritas por autores negros, havia muitos títulos do jornalismo literário.

Jornalismo e literatura
Os anos 1940, 50, 60 e 70 foram dominados pelo fulgor do jornalismo literário em Nova York em grandes veículos com The New Yorker, The New York Times, Squire e New York Magazine. O conto moderno de Nova York foi feito pelos jornalistas, que dominam a narrativa da cidade. Neste sentido, o novo jornalismo e Nova York têm muita coisa em comum.

Aliás, o jornalismo começa a narrar o imaginário de Nova York bem antes do que se pensa. A Times Square tem esse nome por causa do edifício do New York Times, jornal de mesmo nome que cobre a cidade e o mundo desde 1851.

Conforme já disse anteriormente, quando o prédio, localizado no cruzamento da 7ª Avenida com a Broadway, passou a ser chamado de Times Building, e a região começou a ganhar importância pelo número de casas de show, teatros, cinemas, e o espetáculo de luzes que havia, o quarteirão do prédio e as adjacências foram batizados de Times Square.

Junto com a cobertura do jornalismo, com  a demandada de escritores para a cidade, muitos romances foram ambientados em Nova York, de algum modo. Há as tramas que mergulham nas paisagens interiores ou focam a atenção nas dependências internas dos espaços, e assim não conseguimos observar a cidade pelas marcas verbais.

Entre as citações diáfanas da paisagem nova-iorquina está O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, em que Nick Carraway narra a história do enigmático Jay Gatsby, que mora numa mansão numa das inúmeras ilhas pequenas ocupadas por milionários da cidade. O que interessa nesse romance de 1925 é sua atmosfera psicológica, a marcação do espírito oportunista e aventureiro dos fazedores da América.

O livro, no entanto, é importante para o presente texto porque em dado momento o narrador diz: “A cidade, vista da Ponte Queensborough, é sempre uma cidade vista pela primeira vez, em sua primeira e violenta promessa de todo o mistério e de toda a beleza existente no mundo.”

Não passei pela Ponte Queensborough, que ficou na minha imensa lista de coisas que não visitei. Quis passar por ela apenas por essa citação. Eu queria ver esse prenúncio de mistério e beleza. Acabei presenciando algo semelhante caminhando pelas ruas de Manhattan mesmo, em todos os cantos por onde passei, respirando o que um dia foi novidade para o mundo, e que agora só o era para mim.

Bonequinha de luxo, de Truman Capote, aborda Nova York a partir de seu coração. O livro conta a história de Holly Golightly, que vai para a cidade impulsionada pelo desejo de viver o luxo dos ricos. Lá, é sustentada por um mafioso que está preso em Sing Sing, presídio de segurança máxima a 50 quilômetros de Nova York, às margens do Rio Hudson.

Capote escreveu Bonequinha de luxo em 1958, antes portanto de seu grande sucesso de jornalismo literário A sangue frio, de 1965. O romance é uma reação estética de Capote ao glamour de Nova York em meio à perdição. Seu espanto é o mesmo de todos que alcançam a dimensão da riqueza em meio à miséria. Como é que se pode conviver com isso sem se dar a mínima?

Um modo semelhante de olhar a cidade foi o de Tom Wolfe, da mesma escola de Capote, ao escrever A fogueira das vaidades, em 1987. O protagonista vive entre os ricos em Manhattan, mas com um orçamento apertado. Um dia se desvia da rota cotidiana. Sem querer, acaba no Bronx e atropela um homem preto e pobre. A partir daí, tudo começa a desandar.

A cidade escrita
Em Noturno em Manhattan, Collin Harrison faz diferente dos dândis supracitados. Ele mostra a face crua da vida sem glamour. Seu narrador é um jornalista que escreve crônicas da realidade abjeta de Nova York. “Vendo o sofrimento do pobre e a vaidade do rico”, diz ele logo no início.

Lá na frente, o narrador arremata: “Eu trabalho, quase sempre, nos bairros mais tristes e violentos da cidade de Nova York. Lugares onde os trabalhadores abrem suas contas de luz e ficam longos minutos olhando-as fixamente, onde se compra o uniforme da escola paroquial com grande esperança. Onde as crianças pequenas acumulam cicatrizes inquietantes. Onde os garotos carregam armas de brinquedo que parecem reais e armas verdadeiras pintadas como brinquedos. Onde as pessoas têm vitalidade mas nenhuma perspectiva, ambição mas nenhuma vantagem. Elas são pobres e sofrem imensamente por isso.” O livro foi publicado em 1996, mas duvido que a vida retratada nele seja diferente hoje.

Bonequinha de luxo, A fogueira das vaidades e Noturno em Manhattan estão mais ou menos no mesmo nível de criação, apesar de o romance de Capote ter seu toque de talento superior. Nenhum desses escritores, no entanto, tem o alcance narrativo de Philip Roth ou Paul Auster, como em Fantasma sai de cena ou Trilogia de Nova York, respectivamente.

Sombras sobre o Rio Hudson, de Isaac Bashevis Singer, talvez seja a magnum opus da cidade, uma vez que Moby Dick, de Herman Melville, não concentra sua atenção no ambiente urbano nova-iorquino.

Outros escritores, entre a vasta leva, que se ocupam em criar uma Nova York literária são Don DeLillo, Jonathan Safran Foer, Jonathan Franzen, Hubert Selby, Jr., Nicole Krauss (para citar os vivos que li ou leio).

Mas Nova York se renova sempre. Do mesmo modo que a arquitetura arrojada de empresas como Tishman Speyer ofuscou o glamour das arquiteturas anteriores, incluindo a art dèco, a linguagem do chamado novo novo jornalismo assumiu a ponta do jornalismo na cidade.

Neste sentido, Ted Conover dialoga com o jornalismo literário de Capote, ao mergulhar no submundo de Sing Sing, no livro Newjack. Por outro lado, se Capote fez ficção – com Bonequinha de luxo para falar de uma realidade cruel que existia nas relações da Big Apple, Conover fez o contrário, cercou sua própria realidade com uma ficção primeira, fazendo-se passar por guarda da Sing Sing, concursado e tudo, mas apenas para de lá de dentro tomar nota da realidade da cadeia.

Para aqueles que ousaram
É o fim da estadia, e estou extasiado, entusiasmado com a viagem e a aglomeração de imagens que guardo na memória. Elas se misturam com o que já trazia de expectativas num caldeirão de símbolos que enriquecem minha alma.

Antes mesmo de se despedir de Nova York, meu Virgílio, Albert Camus, escreveu em seu diário: “Minha curiosidade por este país parou de repente. (...) Eu seria capaz de fazer sua defesa e apologia, posso reconstruir sua beleza ou seu futuro, mas simplesmente meu coração deixou de falar...”

É aqui que ele me deixa, porque de Nova York, não exatamente do país (do país não tenho muito a dizer), minha impressão é positiva. Não que a cidade não tenha problemas, pelo contrário, é um ímã de desgraças na mesma proporção que atrai progresso e sucesso. Mas meu coração ainda quer falar dela, minha memória ainda continuará tecendo tramas interessantes sobre ela.

O anti-herói Rorschach de HQs, no filme Watchman, cuja história se passa numa Nova York futurista e paralela de 1985, diz o seguinte: “Essa cidade tem medo de mim. Eu vi a sua face. As ruas e suas sarjetas dilatadas estão cheias de sangue. E quando os bueiros finalmente transbordarem, todos os vermes vão se afogar. A imundície de tanto sexo e matança vai espumar até a cintura, e todas as rameiras e políticos vão olhar pra cima clamando ‘salve-nos’, e eu vou sussurrar ‘não’. Agora o mundo todo tá na beirada, olhando pra dentro do inferno. Todos os liberais e intelectuais de fala mansinha. E de repente ninguém mais sabe o que dizer. Lá embaixo, esta cidade horrível grita como um matadouro cheio de crianças retardadas, e a noite fede a fornicação e consciências imundas.”

A ficção às vezes põe o dedo na ferida com mais clareza do que o jornalismo consegue fazê-lo. Mas o pessimismo de Rorschach está na outra ponta da realidade. Por isso, para finalizar minha viagem escrita, meu delírio prosaico, prefiro a fala de Moss Hart, diretor de teatro e dramaturgo nova-iorquino (1904 - 1961), judeu, filho de imigrantes, que cresceu numa relativa pobreza no Bronx.

Prefiro acreditar nessa versão mais palatável da realidade, registrada por Moss Hart, essa realidade mais esperançosa, a face urbana e universal de Nova York que me fez querer visitá-la:

“A única credencial que a cidade pediu foi a ousadia de sonhar”, diz Moss Hart.  Para aqueles que ousaram, ela abriu seus portões e seus tesouros, não se importando sobre quem eram, nem de onde vinham.”

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Cool Heart – Intermezzo 3: Santa tartaruga! A riqueza do Bronx!

                                                                               Foto: Gilberto G. Pereira

Biblioteca Pública do Bronx (prédio da esq.), na Franklin Ave. com a East 169, na Morrisania

Como toda cidade grande, Nova York também tem seus ícones da miséria. A cidade não leva turista para passear nos esgotos, por exemplo. Mas é bom lembrar que a ficção sempre nos convida para o underground nova-iorquino, como o filme Joe e as baratas, protagonizado por Jerry O'Connell, e o universo psicodélico das tartarugas ninja que cresceram nos subterrâneos da cidade.

Os ratos, a pobreza, os esgotos, tudo isso está no substrato escondido da chiqueza esplendorosa de Manhattan. Produzido pela MTV, Joe e as baratas mostra esse tipo de sujeição a que os mais pobres se submetem.

A violência, o racismo, a fome nos porões da miséria encontram-se no mesmo veio das oportunidades e da riqueza sorridente refletindo nos espelhos e no concreto erguido como pelos eriçados na pele plana da ilha.

Quando senti vontade de morar em Manhattan, não me esqueci dessas questões. Morar ali sendo garçom, nem pensar. Só haveria trabalho e desgaste físico e emocional. Não haveria espaço para o gozo. Falo de mim. Há quem tenha muita energia para não só começar como garçom, mas ir além, e tornar-se dono de uma rede de restaurantes.

O filme A pequena loja dos horrores, adaptação de um musical da Broadway, é um clássico da figura da miséria e da favela em Nova York. Dois amigos têm uma floricultura onde passam o tempo se lamentando por não conseguirem escapar da pobreza da cidade.

A metáfora terrível de sua monstruosidade é uma flor carnívora que suga o sangue humano. É uma comédia de humor negro, um “terrir” que lê bem o texto de encanto e desencanto da Big Apple.

O drama Viver sem endereço, com Jennifer Connely, de 2014, com direção de Paul Bettany, é um exemplo recente do mesmo horror que é a marginalização da vida desde sempre, em qualquer lugar. A história se passa em Nova York, mostrando que nem tudo é ouro por lá.

Humanamente rico
O Bronx, por ser pobre, tem uma riqueza diferente da de Manhattan, a riqueza humana da diversidade, e olha que é difícil porque Manhattan também é humanamente rica. A diferença talvez seja o modo como essa riqueza humana se constrói no Bronx, sem os recursos materiais de Manhattan.

Negros do continente africano se misturam aos latinos do caribe, aos asiáticos e aos negros da diáspora escravista. No livro Histórias de duas cidades: o melhor e o pior da Nova York de hoje, de John Freeman (org.), Garnette Cadogan lembra que o distrito do Bronx tem bairros com alta taxa de criminalidade e pobreza extrema, mas tem também pessoas que não recusam conversas e sorrisos a quem ousa caminhar por lá.

Houve uma época em que o Bronx recebia uma grande leva de famílias de judeus e outros europeus pobres. Muitas destas famílias conseguiram se reerguer, mudando-se para Manhattan ou South Brooklyn, que hoje é um lugar de bacanas, como Park Slope, que sofre o processo de gentrificação. O Harlem também está passando por isso.

Nomes como Stanley Kubrick, Moss Hart, Lauren Bacall, Woody Allen, Marshall Berman e Harold Bloom nasceram no Bronx. Todos judeus, filhos de pais anônimos e pobres. Todos se tornaram artistas e escritores famosos no mundo inteiro.

Um brilho no escuro
Em algumas entrevistas que podemos assistir ou ouvir no Youtube, vemos Harold Bloom narrar sua experiência de criança pobre no Bronx. Cresceu numa família que só falava ídiche com ele, e aprendeu inglês sozinho na Biblioteca Pública do Bronx, aos 4 anos de idade.

Bill Finger, co-criador da série de HQs Batman, nasceu em Denver, no Colorado, mas morou no Bronx quando criança e morreu em Manhattan. Foi Bill Finger quem deu o nome fictício de Gotham City para a cidade de Nova York no mundo do Homem Morcego.

Cuba Gooding Jr também nasceu no Bronx. O distrito mais pobre de Nova York oferece uma perspectiva de riqueza maravilhosa, talvez a riqueza mais importante, a riqueza humana, o lastro de luz que faz o mundo brilhar quando tudo está escuro.

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

São Paulo afaga, apaga a mágoa, às vezes (463 anos)

                                                                                           Foto: Catraca Livre
Vista aérea da região da Paulista e da 9 de Julho, com destaque para o MASP

São Paulo me vestiu de prédios, banhou-me de concreto e me ofereceu uma armadura de gelo no entretrópicos. Ganhei uma ligeireza deslizante na alma e um tipo cortante de afeto, uma quentura de amor, uma grandiosidade nos olhos para ver. Em São Paulo, ou você se engrandece ou se apequena. Mas às vezes demora pra você saber o diagnóstico preciso.

Seus ossos não sabem. Seu sangue não sabe. Sua saliva não sabe. Seu gozo não sabe. Suas lágrimas, suas secreções, seus segredos ainda se formam e se escondem do mundo. São Paulo ainda o esconde. Falta a dimensão das lentes, às vezes. Falta a ferocidade nos dentes, às vezes. Falta o lancinar dos gritos, às vezes.

Um paletó de concreto, túmulo retumbante, São Paulo é só saudade, cidade inexistente, que aparece e assusta, susta, ergue-se diante de você e o engole, mastiga. Mas se você tiver um sangue bom, o mastigar de São Paulo é como o das sanguessugas, faz bem, sangra, mas faz bem, arranha, mas faz bem, afaga, apaga a mágoa, às vezes.

E você cresce. São Paulo ainda cresce dentro da gente. E crescerá até que a gente definhe, enquanto São Paulo cresce mais, e a gente afina, invisivelmente fina, vire fio de vento e assobio nas esquinas

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