terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O prazer da carne




O novo romance de Rubem Fonseca, O seminarista (Agir, 2009, 184 páginas), não traz nenhuma proposta inovadora em termos de linguagem. Mas o ritmo da narrativa do autor de A grande arte ainda é capaz de deixar um rastro que demora a apagar na memória do leitor. Para quem desconhece sua literatura, o título oferece a primeira pista falsa desta história policial narrada em primeira pessoa e lotada de caminhos que não vão a lugar nenhum, como é de praxe no gênero.

José é um ex-seminarista que deixou a vida monástica por ser exageradamente libidinoso e não conseguir viver sem sexo. Depois disso, poderia ser muitas coisas, segundo ele mesmo, mas decidiu ser assassino profissional. Por alguma razão não explicitada, talvez por puro exercício da escrita, como quem usa a pena para matar o tempo, ele quer contar a história de como ficou sua situação ao tentar deixar o crime.

Logo após decidir se aposentar da vida de pistolagem, José se vê às voltas de criminosos querendo assassiná-lo. Para não morrer, passa a matar de novo. Nesse ínterim conhece uma mulher chamada Kirsten, uma alemã que se diz tradutora e que está vertendo para sua língua O triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. É dentro desse esquema de conspiração, amor, sexo e morte, que a história de José se constrói.

“Sou conhecido como o Especialista, contratado para serviços específicos. O despachante diz quem é o freguês, me dá as coordenadas e eu faço o serviço. Antes de entrar no que interessa – Kirsten, Ziff, D.S., Sangue de Boi – eu vou contar como foram alguns de meus serviços.” É assim que abre o primeiro parágrafo, demonstrando que não há espaço para a reflexão.

Na verdade, o narrador é direto, objetivo, embora sugira o contrário, fazendo parecer que está a fim de enrolar um pouco. À medida que avança, o leitor se envolve nos desenhos precisos das cenas de ação. De vez em quando, a tensão traz à tona sutis pinceladas de inflexões emotivas ou críticas. É a cartada do mestre Fonseca, cuja habilidade para construir uma narrativa que respira o real é admirável.

José sabe escrever e, mesmo não sendo um escritor profissional, narra com facilidade. Apesar de ser um metido a culto, que passa o tempo todo citando frases em latim, vício do seminário, sua narração é límpida, clara, sem embustes. Neste quesito, este é semelhante a todos os outros romances de Fonseca. A diferença vem na maneira como o autor faz a fusão entre literatura, gastronomia, sexo e violência. Talvez esteja aí a razão de José narrar seus feitos. Talvez ele queira comparar o prazer de matar ao de fazer sexo, ler, comer e se exibir, fazendo do leitor um voyeur.

Duas cenas descritas em momentos diferentes lapidam a junção do prazer gastronômico e o de matar. No primeiro caso, José leva seu amigo D.S. para almoçar num restaurante português, e o resultado disso é uma receita inteira impressa no romance, estendendo o prazer da leitura ao prazer da comida.

‘O que temos hoje em matéria de bacalhau, seu João?’

‘Temos bacalhau à Gomes de Sá, bacalhau à Zé do Pipo e bacalhau à João do Buraco. O senhor sabe que há mais de cem maneiras de fazer bacalhau?’

‘Sei, seu João, sei. O que o senhor nos aconselha?’

‘Estão todos muito bons’, disse o seu João com um forte sotaque, ‘mas o bacalhau à Gomes de Sá eu mesmo preparei, comecei ontem, pu-lo de molho numa bacia de água, trocando a água seis vezes, depois escorri o bacalhau, retirei-lhe as peles e as espinhas e desfi-lo em pequenas lascas que coloquei numa panela funda, cobri-a com leite bem quente e deixei ficar em infusão por três horas. Enquanto isso, cortei as cebolas em rodelas e o dente de alho e levei a alourar ligeiramente numa frigideira de ferro com um trisco de azeite até que ficassem translúcidas e levemente amarronzadas, em seguida juntei batatas, que haviam sido cozidas com a pele e depois peladas e cortadas também em rodelas, e juntei o bacalhau escorrido, mexi tudo ligeiramente, mas sem deixar refogar, temperei com sal e pimenta, coloquei num tabuleiro de barro e levei-o a um forno bem quente durante quinze minutos, o Joaquim deixa ficar vinte, mas eu prefiro quinze minutos, com o forno a duzentos graus. Depois que tiro do forno deito-lhe salsa picada e enfeito-o com rodelas de ovo cozido e azeitonas pretas. É somente para oito pessoas. Não gosto de fazer em grande quantidade.’

Na outra cena, o leitor se espanta enquanto o narrador se delicia, mesmo não demonstrando.

Quebrei outro dedo e ele sorriu para mim, um sorriso de desprezo. Já tive um dedo quebrado, doeu para caralho, até hoje é uma parte morta do meu corpo, parece um arame retorcido. Mas eu também aguentei a barra. Igual aquele cara. Ele não ia abrir o bico nunca, conheço as pessoas. Além do mais, e principalmente, eu estava me sentindo mal em torturar aquele cara, odeio fazer os outros sofrerem, é por isso que sempre dei um tiro na cabeça dos meus fregueses, li em um livro de medicina que a morte é instantânea e sem dor. Coloquei o silenciador na Glock. Dei um tiro na sua testa, com o cano afastado, não queria abrir uma cratera no seu rosto. Confesso que lamentei ter que matar o cara, ele tinha caráter.

E assim segue a narração de O seminarista, cumprindo o sacerdócio que ele mesmo escolheu. Entre um assassinato e outro, José leva seus pares para almoçar ou é convidado por eles a um jantar, um café. Foi numa delicatéssen, quando tomava café, que ele conheceu Kirsten. Ela havia derrubado acidentalmente um expresso no braço dele, e aí a conversa foi inevitável. Para um leitor de romance policial, a primeira imagem que vem à cabeça é a de uma cilada. Quando se sabe que ela é tradutora, outra associação se junta à primeira: tradutora/traidora. Esse jogo de tensão entre leitor e narrador é um procedimento típico do gênero que Fonseca sabe criar com precisão.

Outra característica de sua obra é que os narradores adotam sempre um ponto de vista da classe média. São intelectualizados, sempre citando algum livro que leram e forjando estereótipos sobre as classes menos favorecidas, socioeconômica ou intelectualmente. José segue a regra. A certa altura da narração, ele diz: “A choldra agora era assim, falante, devia ser influência da televisão, bigbrothers, filmes de sacanagem, essa merda.” Ou: “Todo pé-rapado que ascende socialmente acaba aprendendo a jogar golfe, a andar a cavalo e a escolher vinhos finos.”

O esnobismo e o pernosticismo (não da escrita, mas do personagem) são características muito presentes na literatura de Fonseca, aparecendo ali como crítica social. A ironia, o sarcasmo, o humor negro também surgem, muitas vezes, diluídos na narrativa. Dessa maneira, a caracterização dos personagens principais é muitas vezes um sarcasmo dentro do cenário criado. Eles vêm de uma situação de minoria ou de marginalização. O narrador de Bufo & Spallanzani, por exemplo, é negro e gordo. José é magro, feio e assassino.

Já a crítica social se estende ao desvario estético da contemporaneidade. Neste sentido, há uma cena de ironia com destino certo, que é quando José tem de falar de si para Kirsten e, sem poder dizer a ela o que faz, inventa uma profissão:

‘O que você faz?’

‘Sou artista plástico.’ (Quando usava terno e gravata e sapatos finos eu dizia que era consultor financeiro.)

‘Pinta?’

‘Não. Crio instalações.’

‘Instalações?’

‘Uma forma de recriar um ambiente. Pintura, escultura, essas coisas acabaram no século XXI.’

‘Lamentável. Quer dizer que se eu tiver um Picasso devo jogá-lo no lixo?’

Percebi a ironia na sua voz, mas não passei recibo.

‘Não, de jeito nenhum. Tem muito burguês rico e ignorante que continua comprando esse tipo de arte, influenciado pelos marchands. Eu se tivesse um Picasso passava ele nos cobres.’

A estética que resulta da narrativa de O seminarista é profundamente sensual, ligada aos sentidos da maneira mais capital possível. Ou seja, é uma estética do corpo e da alma do homem caído, do mundo decadente. A velha fórmula dentro da qual todos os narradores do autor se movem é compensada aqui pela alta voltagem de sensações lançadas a cada frase.

O autor

Rubem Fonseca é uma personalidade, faz parte da paisagem artística carioca, mas não gosta de se expor à mídia. Não gosta de dar entrevistas, nega a si mesmo diante das pessoas que o reconhecem. Mesmo assim não é raro encontrá-lo na praia, e quando isso acontece alguém diz a ele “você parece o Rubem Fonseca”, e ele sempre responde: “É. Já me disseram isso.”

Nascido em 1925, em Juiz de Fora, interior de Minas Gerais, mudou-se para o Rio de Janeiro com a família aos oito anos de idade. Antes de se tornar escritor perambulou por outras áreas, trabalhando como office boy, escriturário, nadador, ajudante de mágico, revisor de jornal, comissário de polícia, até se formar em direito e se tornar professor da Fundação Getúlio Vargas e depois executivo da Light, companhia de energia elétrica carioca.

Só foi publicar o primeiro livro próximo dos 40 anos, em 1963. Era uma coletânea de contos, Os prisioneiros, gênero que elevou seu nome internacionalmente. O gênero policial dentro do qual figura sua obra não engessou a criatividade do autor, que soube elaborar uma estética própria, uma atmosfera singular a seus livros, que entre os mais conhecidos estão Lúcia McCartney, Feliz ano novo, A grande arte e Agosto. Este último conta os dias finais de Getúlio Vargas e virou minissérie da TV Globo.

Os revisores levam tão a sério as pistas falsas do romance de Fonseca que resolveram fazer o mesmo com o perfil do autor, publicado no final do livro. Ali diz que ele já publicou 11 coletâneas de contos, sete romances e três novelas. Mas na orelha, a informação é outra. Seriam 11 romances publicados, 13 livros de contos e uma seleção de crônicas. (Gilberto G. Pereira. Publicado originalmente na Tribuna do Planalto)


Serviço

Este livro pode ser comprado no site da Livraria Cultura.

Título: O seminarista
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Agir, 2009, 184 páginas
Gênero: Romance
Preço: R$ 39,90

O elogio da escrita



A história nasceu com a escrita. A história da escrita, portanto, é ao mesmo tempo relato e explicação de si mesma, ou seja, metalinguagem. Esse desdobramento da memória foi objeto de pesquisa do escritor goiano Adovaldo Fernandes Sampaio. Seu livro Letras e memória: uma breve história da escrita (Ateliê Editorial, 2009, 304 páginas) é uma rajada de luz sobre 50 séculos de códigos pictográficos, ideográficos, silábicos e fonéticos. É uma viagem histórica e etnolinguística indispensável a quem quer olhar de perto as ferramentas que propiciaram a evolução do pensamento e das civilizações.

O livro conta e encanta. O que há em sua proposta final é a paixão pelas aventuras das letras, que transparece pela escritura do autor. Às vezes a pena corre como quem faz versos livres. Às vezes quer refletir sobre o tempo da palavra escrita, como bem diz o subtítulo. Outras vezes o que surge é uma paisagem de campo aberto, sobre a qual o leitor corre os olhos e se delicia com essa espécie de arqueologia da representação.

O rico acervo de ilustrações ajuda o leitor a mergulhar nesse universo fascinante em que há todos os sistemas de escrita, desde as pictográficas, como os hieróglifos, até os alfabetos mais conhecidos e usados hoje, como o latino e o árabe, além de desenhos e fotografias. Ao longo do percurso, encontramos línguas e escritas exóticas e esquecidas, que ressoam apenas na cabeça dos estudiosos do assunto ou de parcos falantes, restritos ao seu local de origem.

É assim que podemos ler sobre a escrita vatteluttu, que dá suporte ao tâmil, “a mais antiga das línguas dravídicas”, falada em lugares como o Sri Lanka e Ilhas Fiji. Já o sistema mkhedruli, segundo Sampaio, é um alfabeto composto de 28 consoantes e cinco vogais, usado pelo Azerbaijão e pela República da Geórgia desde o século X. Essas informações teriam baixo grau de interesse do leitor não fosse a malha de letras e textos que vêm junto para ilustrar. É aí que está o encanto do livro. Tudo foi feito dentro da declarada intenção do autor de criar um longo poema visual, além da informação e da análise, que também fazem parte de sua proposta.

Na abertura do livro, Sampaio faz um aquecimento, um tipo de ginástica da erudição, citando frases da literatura brasileira e provérbios de várias culturas, para designar vocábulos diretamente ligados ao ato da escrita, como a frase de Aldo Moreni: “Escrevi seu nome na areia das praias de muitos mares. Um dia vou esquecê-lo, mas restarão as árvores, com suas cicatrizes, para mo lembrar.”

Ou a de Carlos Drummond de Andrade: “Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos.” Também aproveitou a lateral de uma página para, sob figuras representativas, escrever um provérbio latino, “verba volant, scripta manent”, e na folha seguinte registrar a tradução sem que o leitor menos atento desse conta: “As palavras voam, os escritos ficam.”

O verbo do princípio

Esse exercício de conhecimento livresco e, sobretudo, de consciência da escrita, apoiado por um valoroso trabalho de pesquisa, culmina com a citação de livros raros, traçados em línguas cujas palavras voaram das bocas humanas faz muito tempo. Um desses é o Popol Vuh, O livro dos mortos, escrito pelos maias em hieróglifos, na língua chol, livro “que traz a origem do fogo, a explicação das características físicas de certos animais, a origem do sacrifício humano por extração do coração, o castigo pela soberba, o nascimento milagroso dos heróis culturais” etc.

Os hieróglifos criados pelos maias registraram também dados sobre astronomia e matemática, em livros ou textos que foram quase totalmente queimados pelos espanhóis, que, numa visível intenção de dizimar qualquer vestígio da cultura maia, os consideravam carregados de “falsidades do demônio”.

O que Sampaio traz de mais curioso da civilização maia, no entanto, em termos de registro gráfico, é o sistema numérico. Trata-se de uma sequência de sinais binários, um ponto e um travessão (chamado de barra, por Sampaio), em que o primeiro vale 1 e o segundo, 5. Para grafar 9, por exemplo, usam-se quatro pontos sobre um travessão. Para registrar 10, basta riscar dois travessões sobrepostos, e assim sucessivamente.

O pensamento organizado em torno da escrita inventada e praticada pelos maias, visto em conjunto com aquilo que outras sociedades ao longo da história também desenvolveram, mostra uma grande sincronia evolutiva das línguas. No começo do capítulo que trata das diferentes formas de escrita e de línguas, Sampaio diz o que muitos etnólogos também afirmam:

“O ser humano, em qualquer tempo e em qualquer lugar, é sempre o mesmo. Falando diferentes línguas e valendo-se de diferentes tipos de escritas, pensa e diz as mesmas coisas, ainda que as expresse de maneiras diferentes, numa unidade na diversidade, ou numa diversidade na unidade, que faz a diferença e o encanto de sua trajetória, de seu inter-relacionamento.”

O poder escrito

No rastro da escrita, a produção e a conservação do pensamento trazem consigo outro fenômeno importante ao longo da história da humanidade: o poder. O autor sabe e diz que o sistema de escrita gera dentro de si uma força capaz de obliterar uma cultura inteira, trazendo à tona outra sociedade, que por sua vez será ultrapassada, ou dizimada a partir da maneira de se organizar o pensamento por meio do registro da língua.

Não foi por outra razão que os espanhóis queimaram os textos maias no século XVI. Nem foi diferente o objetivo do imperador Huang Ti, ao mandar queimar todos os livros do grande império chinês, só deixando incólume o I-Ching, pela verdade espiritual que o livro trazia. Argumento semelhante foi usado pelos árabes muçulmanos quando começavam a criar seu império e dominaram a cidade de Alexandria, em 642. A primeira ordem foi a de queimar totalmente a biblioteca, que já havia sido incendiada pelos romanos (Júlio César) em 47 a.C. e pelos cristãos (Teodósio I), em 391.

Na ocasião da primeira grande queima dos livros da Biblioteca de Alexandria ordenada pelo califa Omar ibn al-Khatab, em 642, sua justificativa foi simples e direta: “Se são de acordo com o Alcorão, são inúteis; se são contrários ao Alcorão, são perniciosos.” Segundo Sampaio, a biblioteca fora fundada em 304 a.C. pelos egípcios, no reinado de Ptolomeu I Sóter, e chegou a ter entre 550 mil a 700 mil rolos de papiro, dando um total de 30 mil livros completos.

Há quem diga, no entanto, que esse negócio de dizer que os muçulmanos foram os responsáveis pela perda do patrimônio cultural da humanidade, contido na Biblioteca de Alexandria, é uma acusação infundada. Isto é, quando a biblioteca foi atacada pelo império islâmico em formação, que dominaria o Egito até os dias de hoje (o Egito contemporâneo é um país árabe, na língua, e islâmico na religião), já não tinha muita coisa.

Segundo Wilson Martins, em seu A palavra escrita: história do livro, da imprensa e da biblioteca, citando o historiador Albert Cim, “parece tratar, no caso, de uma amabilidade inventada por cristãos contra os muçulmanos, para lhes atribuir a responsabilidade de um crime por eles mesmos cometidos.” É claro que Sampaio não entra na questão histórica da política (conquista, manutenção e expansão do poder).

O autor de Letras e memória se concentra mais no seu objeto de estudo, que é a história da escrita ao longo dos séculos. O fato é que imaginar a perda de conhecimento valoroso em matemática e filosofia, e o que isso teria representado para a evolução do pensamento, é um exercício complicado até hoje.

Mesmo com essa perda incomensurável, o Egito antigo deixou uma contribuição valiosíssima à cultura ocidental. Uma sabedoria que chegou até nós de várias maneiras, tanto pelo trabalho de historiadores modernos quanto pela influência do pensamento egípcio na filosofia grega. Para se ter uma ideia do valor dessa contribuição, o primeiro livro a ser escrito na história da humanidade, segundo Sampaio, foi A saída para a luz dos dias, também conhecido como O livro dos mortos do antigo Egito.

Uma cópia desse livro, “um papiro de uns vinte metros, coberto de hieróglifos dispostos verticalmente”, foi encontrado pelo francês Jean-François Champollion, o mesmo que havia decifrado a pedra da rosetta, em 1822, que trazia uma inscrição em duas línguas (grego e egípcio) e em três escritas (alfabeto grego, hieróglifo egípcio e demótico).

Os franceses têm tradição nos estudos da história da escrita e da leitura. Mas no Brasil, um livro como o de Sampaio é uma obra rara, que merece ser adquirida pelas bibliotecas públicas e consultada sempre, não só por interessados em história das civilizações ou estudantes de literatura. O livro serve até mesmo a tatuadores que apreciam os tribais ou algo parecido, pela carga simbólica e a beleza de formas que as escritas trazem.

Sampaio nasceu em Pires do Rio, interior de Goiás. Já publicou livros de crônicas, Seu nome agora é saudade, e de contos, O sol na rede, além de ter organizado uma coletânea de contos tchecos, intitulada Tchecoslováquia blues e publicado os ensaios Voces femininas de la poesía brasileña e Línguas e dialetos românicos. Com Letras e memória, o autor também nos leva à reflexão sobre a bifurcação da língua escrita, que agora, como ele bem observa, se fixa no papel e se multiplica continuamente nas telas do computador. “O manuscrito, o texto real, cede lugar ao texto virtual, que pode ser alterado ad nauseam, ad infinitum”, finaliza. (Gilberto G. Pereira. Publicado originalmente na Tribuna do Planalto)

Serviço

Este livro pode ser comprado no site da Livraria Cultura.

Título: Letras e memória: uma breve história da escrita
Autor: Adovaldo Fernandes Sampaio
Editora: Ateliê Editorial, 2009, 304 páginas
Gênero: Línguística
Preço: R$ 65,00